Mostrando postagens com marcador relacionamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relacionamento. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de junho de 2012

Diálogo Final


                       


- É tudo que tem a me dizer? - perguntou ele.
- É! - ela respondeu.
- Você disse tão pouco.
- Disse o que tinha para dizer.
- Sempre se pode dizer mais alguma coisa.
- Que coisa?
- Sei lá. Alguma coisa.
- Você queria que eu repetisse?
- Não. Queria outra coisa.
- Que coisa é outra coisa?
- Não sei. Você devia saber.
- Por que eu deveria saber o que você não sabe?
- Qualquer pessoa sabe mais alguma coisa que
outro não sabe.
- Eu só sei o que sei.
- Então não vai mesmo me dizer mais nada?
- Mais nada.
- Se você quisesse...
- Quisesse o quê?
- Dizer o que não tem pra me dizer. Dizer
o que não sabe, o que eu queria ouvir de você.
Em amor é o que há de mais importante:
o que a gente não sabe.
- Mas tudo acabou entre nós.
- Pois isso é o mais importante de tudo:
o que acabou. Você não me diz mais nada
sobre o que acabou?
Seria uma forma de continuarmos.

 (de Carlos Drummond de Andrade)



Fonte Imagem: tagarelavamos.blogspot.com

sábado, 16 de junho de 2012

Livros de Poesia

                         
       
       Resolvi escrever pra preencher um vazio que surgiu há alguns dias atrás, logo depois que ele foi embora. Fiquei da mesma forma que o apartamento ficaria se as coisas tivessem ido juntamente com ele. Se bem que sem ele por aqui, as coisas pouco têm valor no fim das contas. As coisas eram dele. Sem ele, são apenas coisas, que pouco têm interesse pra mim, por não terem mais vínculo com ele - exceto os livros de poesia, esses ainda valem um bocado. 
         Acho que os livros de poesia são mais um motivo de eu ter começado a escrever. Já li todos umas cem vezes e, mesmo eu gostando deles, uma hora eu cansei de poesia. Queria prosa. Na verdade, queria ele. Mas como ele se foi, procurei a prosa.
         Depois de não encontrar nada tão bonito quanto os livros de poesia dele, resolvi fazer prosa. Quero me ler algum dia, daqui há uns meses, só pra ter certeza de que nada é tão bonito quando os livros de poesia dele, que continuam na estante, arrumados dos melhores pros piores, da direita pra esquerda. Engraçado que a minha ordem era exatamente oposta a dele, mas nunca disse isso pra ele. Ele gostava de todos, então pouco importava no fim das contas. Na verdade, era até legal, porque assim nunca tínhamos vontade de ler o mesmo livro no mesmo instante. 
        Mas aí ele foi embora e agora eu posso ler o livro que eu quiser, na hora que eu quiser. Pena que agora cansei de poesia. Pena que agora eu quero prosa e não tem nada tão bonito quando os livros de poesia. Pena que agora eu quero ele e ele se foi.

Texto gentilmente cedido pelo autor, Renan Mendes.
Mais textos de Renan Mendes em http://renaomendes.blogspot.com.br/

Fonte imagem: http://renaomendes.blogspot.com.br/2012/01/livros-de-poesia.html?spref=tw